Cirurgia de hemorroida: indicações, técnicas, preparo e recuperação

Cirurgia de hemorroida pode assustar, eu sei… mas entender quando ela é indicada, como é feita e como se recuperar bem muda tudo. Bora ver, com exemplos simples, o que esperar e como voltar à rotina sem traumas?

Quando a cirurgia de hemorroida é indicada e como se preparar

A cirurgia de hemorroida é indicada quando o tratamento clínico falha. Também vale quando há dor forte, sangramento frequente ou prolapso. Em alguns casos, o sangramento causa anemia. Em outros, as hemorroidas ficam para fora e não voltam. Nessas situações, a cirurgia ajuda a controlar os sintomas e prevenir complicações.

Indicações mais comuns

  • Grau III ou IV, com prolapso que não reduz ou reduz com dificuldade.
  • Sangramento recorrente que afeta a rotina ou provoca anemia.
  • Dor intensa, trombose externa ou crises repetidas.
  • Falha do tratamento com fibras, pomadas e banhos de assento.
  • Associação com fissura, pele redundante ou prurido persistente.
  • Complicações como estrangulamento ou necrose, que exigem rapidez.

A avaliação define a melhor técnica para cada caso. Laqueação elástica trata internas selecionadas. Escleroterapia usa injeção que encolhe o vaso. Coagulação infravermelha aplica calor local. Hemorroidectomia remove os mamilos doentes. PPH grampeia e reduz o prolapso. THD liga as artérias guiado por Doppler. O proctologista ajuda a escolher com base nos sintomas e no grau.

Exames e avaliação pré-operatória

  • Consulta detalhada, com exame físico e anuscopia, quando indicado.
  • Colonoscopia se há sinais de alerta, idade elevada ou histórico familiar.
  • Hemograma, coagulograma, glicemia e avaliação do risco anestésico.
  • Revisão de comorbidades, como diabetes, hipertensão e doença cardíaca.
  • Ajuste de anticoagulantes e antiagregantes com o médico assistente.

Alguns remédios aumentam o sangramento. Fitoterápicos também podem afetar. Ginkgo, ginseng, alho e ômega-3 costumam ser suspensos. Faça isso de 7 a 10 dias antes, com orientação. Informe alergias, uso de corticoides e histórico de sangramento. Leve a lista de medicamentos para a consulta.

Como se preparar passo a passo

  • Mantenha fibras e água para cocô macio. Use psyllium se o médico sugerir.
  • Siga o jejum indicado pelo anestesista. Em geral, 8 horas para sólidos.
  • Alguns casos pedem enema leve. O médico explica como e quando usar.
  • Tome banho no dia e evite depilar com lâmina. Clipes são mais seguros.
  • Pare de fumar, se possível, 4 semanas antes. Ajuda na cicatrização.
  • Organize a casa: lenços úmidos, assento para banho morno e analgésicos.
  • Combine carona para ir e voltar. Evite dirigir após sedação ou raqui.
  • Separe roupas largas, fáceis de vestir, e uma almofada macia.

Entenda o plano de dor e os cuidados após o procedimento. Pergunte sobre banhos de assento e pomadas. Saiba quando voltar ao trabalho. Laqueação permite retorno rápido. Hemorroidectomia pede mais tempo, às vezes duas semanas. Evite esforço, levantar peso e prender o cocô. Beba água e ajuste a dieta para 25 a 35 g de fibras por dia.

Riscos e expectativas realistas

  • Dor e sangramento leve são comuns nos primeiros dias.
  • Retenção urinária pode ocorrer, principalmente em homens.
  • Infecção, fissura e estenose são raras, mas possíveis.
  • Recidiva pode acontecer, principalmente sem cuidado com fibras.

Tire dúvidas sobre sinais de alerta. Febre, sangramento intenso e dor que piora pedem contato imediato. Tenha o telefone da clínica à mão. Com preparo adequado, a cirurgia tende a ser mais segura e tranquila. O foco é reduzir sintomas e dar qualidade de vida.

Técnicas: laqueação, escleroterapia, coagulação, PPH, THD e hemorroidectomia

A laqueação elástica trata hemorroidas internas grau II e III. Usa um elástico para cortar o fluxo de sangue. O nódulo seca e cai em poucos dias. É um procedimento rápido no consultório. O objetivo é aliviar sangramento e prolapso.

Laqueação elástica

  • Como funciona: um ligador coloca um anel elástico na base interna.
  • Indicações: sangramento recorrente e prolapso que reduz, grau II ou III.
  • Anestesia: geralmente não precisa, ou usa gel anestésico.
  • Duração: 5 a 10 minutos por sessão; pode precisar de sessões.
  • Recuperação: retorno rápido ao trabalho, dor leve e pressão retal.
  • Vantagens: simples, custo menor e poucas complicações.
  • Limitações: não trata pele externa ou hemorroidas grandes.
  • Riscos: sangramento tardio, trombose externa e dor intensa rara.

Escleroterapia

  • O que é: injeção de agente esclerosante que encolhe o plexo venoso.
  • Indicações: sangramento leve a moderado em hemorroidas internas.
  • Anestesia: não costuma ser necessária.
  • Duração: poucos minutos; pode repetir após semanas.
  • Recuperação: desconforto pequeno e atividade normal no mesmo dia.
  • Vantagens: útil para pessoas com risco cirúrgico.
  • Limitações: efeito menor em prolapso avançado.
  • Riscos: úlcera local, dor pélvica e sangramento discreto.

Coagulação infravermelha

  • Como age: aplica calor controlado e causa fibrose no tecido.
  • Indicações: hemorroidas internas com sangramento.
  • Anestesia: geralmente desnecessária.
  • Duração: 5 a 10 minutos, ambulatorial.
  • Recuperação: dor leve, retorno imediato às tarefas leves.
  • Vantagens: baixa taxa de complicações e técnica rápida.
  • Limitações: não reduz pele externa nem prolapso importante.
  • Riscos: sangramento leve e desconforto anal temporário.

PPH (grampeamento)

  • Definição: grampeamento circular que reposiciona o tecido e corta o fluxo.
  • Indicações: prolapso interno grau II a III com pouco componente externo.
  • Anestesia: raqui ou geral, em centro cirúrgico.
  • Duração: cerca de 30 a 45 minutos.
  • Recuperação: dor geralmente menor que hemorroidectomia clássica.
  • Vantagens: menos dor e retorno mais rápido às atividades.
  • Limitações: não remove plicomas ou tromboses externas.
  • Riscos: sangramento interno, dor pélvica e recidiva do prolapso.

THD (desarterialização guiada por Doppler)

  • Como funciona: o Doppler localiza artérias; o cirurgião liga esses ramos.
  • Indicações: sangramento e prolapso internos, graus II a III.
  • Anestesia: raqui ou geral, procedimento hospitalar.
  • Duração: 30 a 60 minutos, conforme o número de ligaduras.
  • Recuperação: desconforto moderado e volta gradual em poucos dias.
  • Vantagens: preserva tecido e pode reduzir dor pós-operatória.
  • Limitações: custo maior e necessidade de equipamento específico.
  • Riscos: sangramento, dor e recidiva se persistir esforço evacuatório.

Hemorroidectomia

  • O que é: remoção cirúrgica do tecido doente, técnica aberta ou fechada.
  • Indicações: grau III ou IV, trombose repetida, pele redundante e falhas prévias.
  • Anestesia: raqui ou geral, com controle rigoroso da dor.
  • Duração: 45 a 90 minutos, conforme número de mamilos.
  • Recuperação: dor mais intensa por alguns dias; melhora em duas semanas.
  • Vantagens: maior eficácia para doença avançada e externa.
  • Limitações: recuperação mais lenta e necessidade de analgésicos.
  • Riscos: sangramento, infecção, fissura e estenose raras.

A escolha da técnica de cirurgia de hemorroida considera grau, sintomas e estilo de vida. Dieta rica em fibras, água e hábito intestinal suave reduzem recidiva. Controle do esforço evacuatório é essencial para manter o resultado.

Recuperação: manejo da dor, dieta rica em fibras e tempo de retorno às atividades

Após a cirurgia de hemorroida, a dor costuma ser mais intensa nos 2 a 3 primeiros dias. Um bom plano ajuda muito. Ele acelera a recuperação e reduz o medo de evacuar. Siga as orientações do seu médico e combine medidas simples em casa.

Manejo da dor no dia a dia

  • Tome analgésicos no horário, não só quando a dor aperta.
  • Use anti-inflamatório apenas se houver indicação médica.
  • Evite aspirina sem orientação, pois pode aumentar o sangramento.
  • Aplique pomada anestésica, se prescrita, antes e depois das evacuações.
  • Faça banho de assento morno por 10 a 15 minutos, 2 a 3 vezes ao dia.
  • Use compressa fria por 10 minutos entre os banhos, com tecido protetor.
  • Sente-se em almofada firme. Não use boia inflável, pois aumenta a pressão.
  • Relaxe o assoalho pélvico com respiração lenta. Evite prender a respiração.
  • Um amolecedor de fezes pode ajudar. Exemplos: macrogol ou lactulose, se indicados.
  • Caminhe curtas distâncias várias vezes ao dia. Movimento reduz dor e inchaço.

Dieta rica em fibras e hidratação

  • Meta diária: 25 a 35 g de fibras, com 2 a 2,5 litros de água.
  • Aumente as fibras de forma gradual. Assim você evita gases e cólicas.
  • Inclua frutas com casca, verduras, legumes e grãos integrais.
  • Use psyllium, aveia, chia ou linhaça. Misture em iogurte ou água.
  • Coma feijões, lentilha e grão-de-bico 3 a 4 vezes por semana.
  • Evite álcool e muita pimenta nas primeiras semanas. Eles irritam a região.
  • Reduza ultraprocessados. Eles têm pouca fibra e favorecem prisão de ventre.

Exemplo simples de um dia: café com leite, pão integral e mamão. No lanche, iogurte com aveia e banana. No almoço, arroz integral, feijão, frango e salada colorida. À tarde, maçã com casca e castanhas. No jantar, sopa de legumes com quinoa. Água ao longo do dia, sempre.

Hábito intestinal sem dor

  • Vá ao banheiro quando der vontade. Segurar só piora a dor.
  • Use um banquinho para elevar os pés. Isso facilita a evacuação.
  • Fique menos de cinco minutos no vaso. Evite usar o celular.
  • Não faça força. Se estiver difícil, aumente água e fibras.
  • Se necessário, use um laxante osmótico. Siga a prescrição.
  • Após evacuar, lave com água morna e seque sem esfregar.

Retorno às atividades

  • Laqueação, escleroterapia e coagulação: trabalho leve em 24 a 48 horas.
  • Exercícios leves, como caminhada, após 48 a 72 horas.
  • PPH ou THD: trabalho leve entre 3 e 7 dias, conforme dor.
  • Corrida e treino moderado após 2 a 3 semanas, se estiver bem.
  • Hemorroidectomia: trabalho leve em 10 a 14 dias, em média.
  • Evite levantar peso acima de 5 a 7 kg por duas semanas.
  • Dirija só quando a dor estiver controlada e sem opioides.
  • Atividades que aumentam a pressão local devem esperar algumas semanas.

Higiene e curativos

  • Lave com água morna e use lenços sem álcool, se precisar.
  • Troque a gaze quando úmida. Seque a pele com toques suaves.
  • Use roupa leve e respirável. Evite calor e suor na região.

Sinais de alerta

  • Febre de 38°C ou mais.
  • Sangramento contínuo, em volume alto, ou com coágulos.
  • Dor que piora mesmo com a medicação correta.
  • Saída de pus, odor forte ou inchaço crescente.
  • Dificuldade para urinar ou retenção urinária.

Em caso de qualquer sinal de alerta, contate a equipe que fez a sua cirurgia de hemorroida. O ajuste rápido do cuidado evita complicações.

FAQ – Cirurgia de hemorroida: indicações, técnicas e recuperação

Quando a cirurgia de hemorroida é indicada?

Quando o tratamento clínico falha ou há sangramento recorrente, dor forte ou prolapso. Graus III e IV costumam precisar. Trombose repetida e anemia por sangramento também pesam. A decisão é do proctologista, após exame.

Qual técnica é melhor: laqueação, escleroterapia, coagulação, PPH, THD ou hemorroidectomia?

Depende do grau, sintomas e presença de pele externa. Laqueação, escleroterapia e coagulação tratam internas com sangramento. PPH e THD atuam no prolapso interno com menos dor. Hemorroidectomia é mais definitiva para doença avançada. O médico avalia e indica a opção mais adequada.

A cirurgia dói muito? Como controlar a dor?

A dor é mais intensa nos 2 a 3 primeiros dias. Tome analgésicos no horário. Faça banho de assento morno e compressa fria. Use pomada anestésica se prescrita. Evite aspirina sem orientação. Amolecedores de fezes ajudam a evacuar sem esforço.

O que comer após a cirurgia para evitar dor ao evacuar?

Priorize fibras e água. Meta de 25 a 35 g de fibras por dia. Inclua frutas com casca, verduras, grãos integrais e leguminosas. Use psyllium, aveia, chia ou linhaça. Beba 2 a 2,5 litros de água. Evite álcool e muita pimenta nas primeiras semanas.

Quando posso voltar a trabalhar e treinar?

Após laqueação, escleroterapia ou coagulação, trabalho leve em 24 a 48 horas. Após PPH ou THD, entre 3 e 7 dias. Hemorroidectomia pede 10 a 14 dias, em média. Caminhada leve em 48 a 72 horas. Corrida e treinos moderados após 2 a 3 semanas, se sem dor.

Quais sinais de alerta exigem contato imediato com a equipe?

Febre de 38°C ou mais, sangramento intenso ou com coágulos e dor que piora. Saída de pus, odor forte ou inchaço crescente. Dificuldade para urinar também é alerta. Procure avaliação rápida.

Dra Renata Fuhrmann

Dra Renata Fuhrmann

Farmacêutica com especialização em Biomedicina, a Dra. Renata Fhurmann atua com excelência na interface entre diagnóstico, prevenção e cuidado com a saúde. Seu trabalho é pautado pela precisão científica, olhar humanizado e compromisso com a inovação. Apaixonada pela ciência e pelo cuidado integral ao paciente, Dra. Renata integra conhecimentos farmacêuticos e biomédicos para promover tratamentos mais eficazes e personalizados, sempre em busca do equilíbrio e bem-estar duradouro.

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